Hoje vou falar de um tema que não costumo escrever aqui no meu blog. Mas acho que vale apena expressar meu ponto de vista, se de alguma forma ele puder influenciar alguém a pensar de forma diferente alguns conceitos, ou simplesmente ler e discordar do que eu falarei. Assim, se você discordar do que vou falar aqui, por favor, deixe seu comentário. Ficarei feliz em apreciar seu ponto de vista e aprender com ele. Bem, o tema de hoje é um pequeno trecho do relatório que enviei à FAPEMA na prestação de contas de um auxílio que eles me concederam para participação em um evento. Assim, o texto está entre aspas.
" [...] Participando
da 36ª reunião da SBQ, tive a oportunidade de conversar com alguns pesquisadores
de outros estados e nestas conversas pude notar que a pesquisa em nosso país
vai muito bem. Temos cada vez mais recursos, cada vez mais artigos publicados e
cada vez cresce mais o número de doutores e mestres formados em nossas instituições. Mas o que pude perceber é que muitas destas pesquisas vêm sendo
conduzidas sem conexão com o ensino. Assim, temos trabalhos brilhantes, mas tão
específicos que acabam fazendo sentido apenas para uma pequena parcela da
comunidade acadêmica. Outros pesquisadores, sequer conseguem compreender os
aspectos metodológicos e práticos do desenvolvimento destas pesquisas. Pois
enquanto a pesquisa vem dando passos cada vez mais largos, o ensino ainda
caminha lentamente e não consegue acompanhar este desenvolvimento.
O
ideal seria que em nossas IES tivéssemos a oportunidade de aproximar cada vez
mais ensino e pesquisa. Num ambiente onde as pesquisas desenvolvidas pudessem
ser apreciadas por todos e discutidas por todos. Além disso, a pesquisa deve
puxar o desenvolvimento do ensino apresentando novos desafios e aspectos
empíricos a serem interpretados e explicados pelas teorias já existentes. Vejo
que o fazer ciência não pode deixar esta questão de lado. Pois se continuarmos
assim, nossas pesquisas não farão sentido para outros pesquisadores e, o que é pior, o
interesse pela ciência tenderá a diminuir cada vez mais nas camadas menos
privilegiadas da sociedade. Assim, é preciso fazer pesquisa para suprir a
necessidade do nosso povo. Tanto as necessidades de alimentos e saúde, quanto a necessidade de desenvolver um pensamento crítico. Nós, enquanto
pesquisadores, somos os responsáveis por levar à nossa gente a esperança de que
é por meio da educação e não do “jeitinho brasileiro”, ou malandragens, ou da mega-sena
que se muda de vida [...]"
Um grande abraço.
Deus abençoe a todos.