Esta semana ouvi um pregador falar sobre pais e filhos. Ele falou como os filhos testam, todos os dias, os limites impostos pelos pais. Sempre querem ir um pouco além daquilo que seus pais permitem ou aprovam. Depois da pregação, fiquei refletindo em como esta relação é parecida com a que temos com Deus. Todos os dias queremos avançar os limites impostos por Deus para as nossas vidas. E é justamente sobre isto que quero falar neste post.
Não sei se vocês vão concordar comigo, mas acredito que o homem vive testando os limites estabelecidos por Deus. Se olharmos para a história de Adão e Eva percebemos este comportamento. Deus permitiu que comessem de todos os frutos do jardim exceto de um. "Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás (Gn 2: 27)". Deus deixa claro os limites para o homem, mas mesmo assim eles desobedecem e comem do fruto proibido. Adão e Eva, enganados pela serpente, acabaram avançando as fronteiras estabelecidas por Deus. Todos os dias pecamos. Mesmo convertidos e transformados, habita em nós o velho homem, que dá as caras de vez em quando. Nossa natureza é corrompida e inclinada para o mal e precisamos lembrar disso constantemente. O problema é que nós, cristãos, em algumas situações, queremos saber até onde vai o limite entre o certo e o errado, entre o que é pecado e o que não é.
Sou professor de EBD e certa vez os alunos foram colocando algumas situações e pedindo que nós, professores, disséssemos o que era pecado ou não. Um deles disse: "Eu estudo para a prova, mas não sei uma das respostas. O colega do lado fala a resposta pra outro colega e eu escuto e agora sei a resposta. Se eu responder a minha prova é pecado?" Achei muito engraçado na hora, mas fiquei pensativo em como somos bons em agir dessa forma. Em querer saber até onde podemos chegar sem que seja pecado. Procuramos justificativas para os nossos erros e negligenciamos o fato de que precisamos lutar a cada dia contra nós mesmos. A bíblia diz: Não cobiçai a mulher do próximo. E nós queremos saber: e se o próximo não estiver próximo? Ou, a bíblia diz que o dízimo é 10%. E se eu devolver 9,9% é pecado ou não? Acredito que fazemos isto pelo fato de estarmos mais interessados em fazer as nossas vontades e alimentar os nossos desejos, do que fazer a vontade de Deus.
Lembro me de uma reportagem que marcou muito a minha infância. Um garotinho foi ao zoológico, ou circo (não lembro) e estava bem próximo à jaula do leão. Num momento de descuido do garoto, o leão veio e o atacou. A força do ataque foi tamanha que o garotinho foi puxado para dentro da jaula. Cresci e aquela reportagem nunca foi esquecida. Sempre que lembro dela, penso no que a palavra de Deus diz: "Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar (I Pedro 5: 8)". Este é o grande perigo de viver na zona de transição entre o certo e o errado. Não é pecado, mas, ao menor descuido, podemos ser arrebatados como aquele garotinho.
Finalizando, gostaria muito de ver os cristãos cada vez mais dispostos a fazer a vontade de Deus e andarem mais próximos Dele. E não buscando uma forma de andarem distantes sem que se sintam culpados. "Aproximai-vos de Deus, e ele se aproximará de vós (Tiago 4: 8)".
Deus abençoe a todos.
Marcos Moura