terça-feira, 13 de agosto de 2013

O PERIGO DE SE VIVER NA ZONA DE TRANSIÇÃO ENTRE O CERTO E O ERRADO

Esta semana ouvi um pregador falar sobre pais e filhos. Ele falou como os filhos testam, todos os dias, os limites impostos pelos pais. Sempre querem ir um pouco além daquilo que seus pais permitem ou aprovam. Depois da pregação, fiquei refletindo em como esta relação é parecida com a que temos com Deus. Todos os dias queremos avançar os limites impostos por Deus para as nossas vidas. E é justamente sobre isto que quero falar neste post.

Não sei se vocês vão concordar comigo, mas acredito que o homem vive testando os limites estabelecidos por Deus. Se olharmos para a história de Adão e Eva percebemos este comportamento. Deus permitiu que comessem de todos os frutos do jardim exceto de um. "Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás (Gn 2: 27)". Deus deixa claro os limites para o homem, mas mesmo assim eles desobedecem e comem do fruto proibido. Adão e Eva, enganados pela serpente, acabaram avançando as fronteiras estabelecidas por Deus. Todos os dias pecamos. Mesmo convertidos e transformados, habita em nós o velho homem, que dá as caras de vez em quando. Nossa natureza é corrompida e inclinada para o mal e precisamos lembrar disso constantemente. O problema é que nós, cristãos, em algumas situações, queremos saber até onde vai o limite entre o certo e o errado, entre o que é pecado e o que não é.

Sou professor de EBD e certa vez os alunos foram colocando algumas situações e pedindo que nós, professores, disséssemos o que era pecado ou não. Um deles disse: "Eu estudo para a prova, mas não sei uma das respostas. O colega do lado fala a resposta pra outro colega e eu escuto e agora sei a resposta. Se eu responder a minha prova é pecado?" Achei muito engraçado na hora, mas fiquei pensativo em como somos bons em agir dessa forma. Em querer saber até onde podemos chegar sem que seja pecado. Procuramos justificativas para os nossos erros e negligenciamos o fato de que precisamos lutar a cada dia contra nós mesmos. A bíblia diz: Não cobiçai a mulher do próximo. E nós queremos saber: e se o próximo não estiver próximo? Ou, a bíblia diz que o dízimo é 10%. E se eu devolver 9,9% é pecado ou não? Acredito que fazemos isto pelo fato de estarmos mais interessados em fazer as nossas vontades e alimentar os nossos desejos, do que fazer a vontade de Deus.

Lembro me de uma reportagem que marcou muito a minha infância. Um garotinho foi ao zoológico, ou circo (não lembro) e estava bem próximo à jaula do leão. Num momento de descuido do garoto, o leão veio e o atacou. A força do ataque foi tamanha que o garotinho foi puxado para dentro da jaula. Cresci e aquela reportagem nunca foi esquecida. Sempre que lembro dela, penso no que a palavra de Deus diz: "Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar (I Pedro 5: 8)". Este é o grande perigo de viver na zona de transição entre o certo e o errado. Não é pecado, mas, ao menor descuido, podemos ser arrebatados como aquele garotinho.

Finalizando, gostaria muito de ver os cristãos cada vez mais dispostos a fazer a vontade de Deus e andarem mais próximos Dele. E não buscando uma forma de andarem distantes sem que se sintam culpados. "Aproximai-vos de Deus, e ele se aproximará de vós (Tiago 4: 8)".

Deus abençoe a todos.

Marcos Moura 


domingo, 4 de agosto de 2013

VIVENDO DE UM MODO DIGNO DO EVANGELHO


Eu sempre fico muito intrigado com as histórias da bíblia ao notar que Jesus sempre estava rodeado por multidões. O que mais me impressiona é a forma cuidadosa e carinhosa com que Cristo olhava e se compadecia daquele povo. "E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor (Mt 9: 36)." Hoje pela manhã tive uma rápida conversa com um grande amigo da igreja e falamos rapidamente sobre viver de um modo digno do evangelho. O que seria viver de um modo digno deste evangelho? Meditei um pouco nas palavras deste meu amigo e resolvi compartilhar com vocês um pouco das minhas elucubrações.


Acredito que viver de um modo digno do evangelho de Cristo é ter o mesmo sentimento que ele teve. "De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz (Filipenses 2: 5-8)." Hoje em dia, não vejo muitos cristãos dispostos a se esvaziarem e humilharem-se a si mesmos. Muitas vezes, o que vemos, é um evangelho onde cada vez mais o indivíduo busca por restituição, cura, honra, bênção e promessas. Em algumas situações, as provações e sofrimentos, enfrentados pelos cristãos atuais, não são vistos como uma oportunidade de crescimento e fortalecimento espiritual e sim como maldição ou obra do diabo. Poucos crentes estão dispostos a lavar os pés uns dos outros, a andar mais uma milha, dar a capa e a túnica a quem precisa ou virar a outra face ao ser agredido. Pelo contrário, ouvimos canções do tipo: "quem te viu passar na prova e não te ajudou vai se arrepender..." Queremos Deus para nos colocar no palco e as outras pessoas virem que somos abençoados e ficarem com inveja? Que Cristianismo é este?

Acho que viver de um modo digno do evangelho de Cristo, deve partir de um imitar diário de Jesus, começando pelo amor por aqueles que nos rodeiam. Quando, verdadeiramente, amarmos uns aos outros, tudo fará mais sentido. Os dons espirituais, os cultos, os ministérios, etc. Tudo isso só fará sentido se houver amor (I Corintios 13). Acho interessante olhar para a igreja primitiva e ver que eles deixavam tudo o que tinham aos pés dos apóstolos, pois acreditavam num retornar repentino de Jesus Cristo. Se realmente estivéssemos esperando a volta do Senhor, estaríamos muito mais desapegados ao mundo e as coisas do mundo. E este é o segundo ponto. Viver de modo digno do evangelho é descansar na promessa de que a qualquer momento podemos ser arrebatados e tudo aquilo que ajuntarmos neste mundo, ficará aqui. Assim, não viveremos como quem corre atrás do vento, buscando apenas aquilo que os olhos podem ver. Você acha mesmo que Deus mandou Jesus Cristo descer do céu, morrer na cruz e ressuscitar para que você tenha carro novo, casa, apartamento e celular? Seria anular a obra redentora de Cristo, se você pensasse assim. Viver de um modo digno é aguardar o revelar-se diário de Cristo em nossas vidas. "Como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito."

Por fim, viver de um modo digno do evangelho é entender que quando Jesus nos chamou pra sermos seus discípulos, suas palavras foram: "Aquele que quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me." Assim, não fomos chamados para uma vida das mais fáceis e sim para andarmos pelo caminho apertado e a passar pela porta estreita. Negando todos os dias a nós mesmos e renunciando nossas vontades por amor a Cristo. Carregando nossa cruz sem murmuração. Entendendo que aquilo que Deus me deu pra viver é o melhor pra mim e devo me alegrar no Senhor tanto na abundância, quanto na escassez. E caminhar sobre as pegadas do mestre, lembrando que no final da nossa carreira alcançaremos o maior de todos os tesouros, a vida eterna com Deus.

Deus abençoe a todos.



quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O CRISTÃO E A CULTURA

Muito se discute sobre a relação entre a cultura e a religião. Teriam os jesuítas interferido na cultura dos índios ao chegarem no Brasil? Até que ponto a religião deve influenciar os costumes de um povo e suas manifestações culturais? Sendo mais específico, até que ponto o Cristianismo deve influenciar na cultura e até que ponto e certo ou errada a participação de cristãos em certas manifestações culturais?

Partindo do conceito de cultura, do latim colere, que significa cultivar e segundo Edward B. Tylor, cultura é “aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade.” Penso que o fato do pecado ter entrado no mundo, desde o Gênesis, deturpou e deformou o comportamento do homem. Assim, a cultura, como este complexo acima sitado, em alguns aspectos é influenciada por nossa natureza pecaminosa e inclinada para o mal.

De um modo geral, vejo que o cristão tem um papel fundamental de apresentar as verdades do Evangelho, afim de mostrar que alguns dos costumes e práticas da nossa cultura são inadequados. Mas isso não deve ser feito como uma "Santa inquisição" onde nós como donos da verdade apontamos os erros alheios. Devemos pregar o Evangelho lembrando que o Espírito Santo convence do pecado, da justiça e do juízo. Vamos tentar exemplificar com alguns casos da nossa cultura para que fique mais claro.

Em nossa cultura temos alguns costumes que são errados do ponto de vista bíblico. Um destes costumes é o fato de tentarmos levar vantagem sobre tudo e sempre tentar dar "um jeitinho brasileiro" aos problemas e atividades que nos são propostos. Burlar, falsificar, furar a fila, sonegar, tudo isso já faz parte da nossa cultura e muitas vezes nem nos damos conta. Mas a bíblia é muito clara: Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai (Filipenses 4:8). Fiz questão de selecionar este texto, pois ele não vem proibindo nada, mas recomendando que as coisas honestas ocupem os nossos pensamentos. Agindo assim, iríamos contra a cultura do jeitinho brasileiro e da falta de honestidade que tanto vem prejudicando nossa gente.

Um outro elemento da cultura que é muito influenciado pelo pecado, são as manifestações folclóricas. Algumas festas de época, por exemplo o São João, vêm carregadas de idolatria. Outras, como o carnaval, vem regadas à todo tipo de pensamento imoral, perversão sexual, uso de drogas e consumo excessivo de álcool. Não vejo as manifestações folclóricas como um pecado, mas o pecado como um elemento que algumas vezes está ligado ao folclore e outros elementos da nossa cultura.

Mas como o cristão deve agir, uma vez que a humanidade e consequentemente a cultura, estão fortemente associadas ao pecado? Faremos passeatas pedindo o fim do São João, carnaval e dos furos nas filas do terminal de integração? Imaginem uma passeata onde nós, crentes, pediríamos o fim do jeitinho brasileiro. Acho que o caminho não é este. Acredito que temos a responsabilidade de colocar a humanidade no rumo certo. E o rumo certo é a salvação. Não precisamos de passeatas e nem sair por aí apontando os erros e falas das pessoas. O que devemos realmente fazer é apresentar a mensagem de salvação. Uma vez convertidos, verdadeiramente, o Espírito Santo fará a boa obra e mudará as mentes, corações e pensamentos das pessoas. Mudando as pessoas, consequentemente influenciamos na cultura.

Sei que muita gente discute se os cristãos devem ou não participar de festas populares e manifestações folclóricas. Na minha opinião, não há nada que proíba o indivíduo de participar, mas devemos lembrar que as escrituras sagradas devem ser a lâmpada dos nossos pés e a luz dos nossos caminhos. Em outras palavras, os nossos pés devem andar por onde a palavra de Deus nos orientar. Assim, antes de sair de casa, antes de falar qualquer coisa, ou escrever, avalie segundo a Palavra de Deus. Procure conhecer a origem daquela festa ou manifestação folclórica e busque a orientação do Espírito Santo que mora em você.

No mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.

Deus abençoe a todos
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