sexta-feira, 22 de março de 2013

COMBATENDO A FALSA ESPIRITUALIDADE EM NOSSAS IGREJAS


É muito bom participar do corpo de Cristo e ser edificado a cada encontro com as aulas da EBD. Tivemos uma conversa sobre a questão das falsas manifestações espirituais dentro da igreja. Temos visto sinais e prodígios, curas e maravilhas, homens que movem multidões quando sobem ao púlpito, cantores que com seus dons e talentos levam milhares de pessoas aos shows de adoração e louvor. Durante aquela aula fiquei me perguntando como podemos identificar em quais destas situações o uso do dom vem de Deus ou não? Como podemos combater as falsas doutrinas e as falsas manifestações espirituais no ceio da igreja? Vimos pelo menos três possíveis estratégias para se combater tal problema e é sobre elas que eu gostaria de falar aqui neste post.


Antes de falarmos da solução, precisamos entender de qual problema estamos tratando. No final do sermão da montanha Jesus dizia: Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Naquele dia muitos hão de dizer-me: Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade (Mateus 7:21-23). Estas palavras de Jesus são muito claras quanto a existência de pessoas manifestando dons sem que estejam sendo usadas pelo Espírito Santo. O que ocorre é uma falsificação espiritual de alguns membros da igreja. Pessoas cheias de poder, fazendo sinais e maravilhas em "nome de Jesus", mas que não são conhecidas por Ele. Na verdade, são lobos em pele de cordeiros. Estes indivíduos prestam um desserviço ao reino de Deus, pois no corpo de Cristo (a igreja) eles são como células cancerígenas que adoecem e matam o corpo. Tais pessoas precisam ser confrontadas e evangelizadas. Precisam se converter.



Outro problema que precisamos combater em nosso meio é a hipocrisia. A bíblia nos trás em Atos 5 a história Ananias e Safira. Eles venderam um terreno por um determinado valor, guardaram uma parte do dinheiro da venda e em seguida foram até Pedro com o restante da grana e entregaram na igreja como se aquele valor fosse tudo o que eles haviam conseguido com a venda. O problema não foi o quanto eles deram e sim a intensão pela qual eles depositaram aquele valor. Queriam ser vistos como os estimados irmãos que venderam tudo o que tinham e entregaram a serviço do reino. Muitos cristãos estão envolvidos na obra de Deus por motivos errados. Muitas vezes por vaidade, ou simplesmente para que sejam notados e tenham os seus egos massageados pelos elogios. Ou para que sejam vistos como pessoas espirituais e com um coração bom. O problema é que quando agimos assim, negligenciamos ou diminuímos a obra de Deus. Não somos verdadeiros em nossas ações. E apesar de parecer algo que fará um grande bem ao Reino de Deus, no final das contas trará prejuízos. Além do mais, assim como os falsos profetas, o fim daqueles que fazem a obra do Senhor com hipocrisia pode ser tão triste quanto o de Ananias e Safira, que morreram quando Pedro os revelou que já sabia da sua mentira.



Mas como podemos identificar combater a falsidade espiritual em nossas igrejas? 



A primeira estratégia é a leitura da palavra de Deus. Como combateremos as falsas doutrinas e os ensinamentos errados se não conhecemos a verdade? E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (João 8:32). Só conseguiremos identificar as falsas doutrinas se tivermos conhecimento da verdade. Muitas vezes somos cristãos a tanto tempo que nos limitamos a viver a vida cristã sem buscar a leitura da palavra de Deus. Como se as informações adquiridas até aqui nos fossem suficientes para caminharmos. Há um grande risco em não se ler constantemente as escrituras. Podemos nos perder em nossa caminhada. Pois em Salmo 119:105 nos diz que a palavra de Deus é como lâmpada para os nossos pés e luz em nossos caminhos. Ovelhas caminhando por caminhos escuros são alvos fáceis para os predadores. Cristão que não ler a palavra é facilmente levado por qualquer vento de doutrina.

A segunda estratégia é analisar os frutos produzidos por aqueles que desenvolvem os ministérios em nossas igrejas. Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos (Lucas 6:44). Muitas vezes nos enganamos por achar que pessoas capazes de realizar manifestações poderosas dentro da igreja são as mais espirituais. Mas não é o poder no exercício dos dons que garante altos níveis de maturidade e espiritualidade. A própria igreja de Corinto possuía em seu meio todos os tipos de dons, porém o apóstolo Paulo os chama de carnais e meninos da fé. Assim, não importa quanto poder estas pessoas demonstrem em nosso meio. O que precisamos atentar é para os seus testemunhos, pois o que vai garantir que os dons exercidos por elas vêm de Deus não é o dom em si e sim o fruto do Espírito nelas. O fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança (Gálatas 5:22).


Por fim, acredito que o ultimo passo é nos sujeitarmos à autoridade do Espírito Santo que habita em nós. Devemos deixar de fazer as nossas vontades e passar a fazer a vontade de Deus. Se nos sujeitamos a autoridade do Espírito Santo podemos identificar, em nós, possíveis desvios. Muitas vezes procuramos identificar a hipocrisia em nossos irmãos, nas pessoas que estão ao nosso redor e nos esquecemos de fazer uma auto-análise. Identificar tais pecados em nós não é muito fácil, pois muitas vezes estes pecados caminham muito perto do limite entre o certo e o errado. Que mal há em se vender o terreno, ficar com uma parte e dar a outra à igreja? Ou que mal há em cantar no culto de mãos levantadas e olhos fechados? Nenhum. O mal está na intensão em nossos corações em fazer tudo isto. Assim, devemos a cada dia dar mais lugar ao Espírito para que não sejamos levados por nossa vã maneira de viver.

Deus abençoe a todos.


Marcos Moura

quinta-feira, 7 de março de 2013

O QUE FALTA AOS CRISTÃOS?


Refletindo sobre as características e comportamentos dos cristãos em nossa sociedade e o papel da igreja nesse mundo louco que segue num curso desenfreado para o abismo, vi o quanto estamos distantes daquilo que seria o verdadeiro cristianismo. O número de cristãos cresce a cada dia, mas estes cristãos não tem feito diferença na sociedade. Ouvi um jovem pregador esta semana que dizia uma frase de seu pai: "Se você é cristão, não dá para passar por um lugar e não deixar ali suas marcas". Isto me fez pensar sobre o que nos falta para começarmos a deixar as marcas de Cristo nesta sociedade e o que precisamos entender para que realmente sejamos luz e sal neste mundo.


Vejo igrejas divididas, cristãos guerreando uns com os outros por causa de visões e ministérios. Vejo uma preocupação muito grande com as liturgias, as doutrinas, os cultos, as programações, os retiros e acampamentos, os projetos evangelísticos, as construções e reformas dos templos. Pessoas envolvidas na obra de Deus engajadas em trabalhos e ações da igreja achando que isso tudo é o Reino de Deus. Aliás, vez ou outra nos pegamos dizendo: "Isto ou aquilo é Reino de Deus", como se nós tivéssemos um radar que identifica quais das nossas atitudes ou costumes pertencem ou não ao reino. Assim, respondendo à questão proposta, acredito que o que nos falta é o entendimento pleno do que é o Reino de Deus.

Mas onde está o Reino de Deus?

"E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está dentro de vós. Lucas 17:20-21" Os fariseus não sabiam bem quando viria o reino de Deus. Eles, assim como nós, estavam intrigados sobre esta questão. Nossa ignorância sobre as questões dos Reino de Deus nos faz achar que ele está nas coisas que podemos ver e perceber com os nossos sentidos. Os fariseus preocupavam-se muito com a lei, a arca, o dízimo,o candelabro, o templo, o sacerdote e os sacrifícios pois achavam que o zelo por estas coisas representava um zelo pelo reino de Deus. Temos a tendência de acreditar que o reino de Deus é algo que podemos ver e tocar. Achamos que vir a igreja, os instrumentos, pegar na mão do irmão, vestir a camisa do projeto evangelístico, ter um adesivo no carro, ou um quadro na sala são atributos do reino de Deus. Jesus nos ensina o contrário. O reino de Deus não tem uma aparência exterior ou visível. O reino não está aqui ou ali, ele está dentro de nós. O que precisamos é entender que em qualquer reino quem reina é o rei. Será que o reino dentro de nós é governado por Deus? Será que ele é o senhor de nossas vidas? Ou estamos vivendo com um reino próprio? Onde fazemos primeiro a nossa vontade e buscamos os nossos interesses, usamos Deus como um instrumento para nos beneficiar, achando que Ele nos recompensa pelo que fazemos. O problema dos cristãos é que eles tiraram Deus do controle. Demos um golpe de estado e tiramos Deus do poder. O regime de governo agora é o nosso, não deixamos o Espírito Santo conduzir nossas vidas. Não deixamos o Rei dos reis e Senhor dos senhores reinar dentro de nós.

Já que o reino de Deus não tem uma aparência exterior, qual é a sua aparência?

"Jesus dizia: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra. E dormisse, e se levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, não sabendo ele como. Porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga, por último o grão cheio na espiga. E, quando já o fruto se mostra, mete-se-lhe logo a foice, porque está chegada a ceifa. Marcos 4:26-29". Jesus quis nos mostrar com esta ilustração que o reino de Deus não pode ser ser controlado por nós. Quando um homem lança a semente na terra, ele aguarda que esta semente germine. O homem tem a função de arar a terra, lançar a semente e regar. Mas o homem não pode fazer germinar a semente. Muitas vezes achamos que podemos fazer o papel de Deus na igreja. Achamos que os nossos esforços, a nossa capacidade, o nosso intelecto ajudarão ou farão brotar o reino de Deus. Deus é alto suficiente e o seu reino cresce e frutifica segundo a Sua vontade. Andamos enganados achando que somos donos dos trabalhos e ministérios do reino. Queremos apressar as coisas ou conduzi-las para os resultados que nós achamos que seja o melhor,quando quem faz isso é Deus. Além do mais, no reino de Deus tudo tem um tempo determinado por Ele, "primeiro a erva, depois a espiga, por último o grão cheio na espiga (o fruto). Muitas vezes a semente mal germinou, nós já queremos colher os frutos. Precisamos esperar com paciência os frutos do reino de Deus. Os resultados que Ele nos mostrará segundo a sua vontade e no tempo certo.

Por fim, como disse no post anterior o reino de Deus é o nosso grande tesouro:

"Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo. Mateus 13:44" O homem que encontrou o tesouro escondido no campo não ficou triste ou resmungando pelo fato de ter que vender tudo o que possuía para ter aquele campo. Ele faz isso de todo o coração e com alegria. Ele tinha a noção de que aquele tesouro enterrado no campo é maior que todo o tesouro que Ele havia juntado. O que eu acho interessante é que se aquele homem tivesse que pagar pelo tesouro escondido no campo, mesmo que vendesse tudo, não poderia comprar. Mas o tesouro está escondido, assim o preço cobrado pelo campo não leva em conta o seu real valor. O reino de Deus é do mesmo jeito. Não seria possível comprá-lo pelo valor que ele tem escondido, a salvação. Mas o preço cobrado é um preço que podemos pagar. Vender tudo o que possuímos, ou seja, livrar-se daquilo que nos impede de ter a salvação é o preço a ser pago por este campo. O que precisamos fazer para adquirir este campo? Do que precisamos nos livrar? De nós mesmos? "Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me; Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. Mateus 16:24-25"

Concluindo, se quisermos realmente fazer a diferença neste mundo precisamos deixar Deus reinar em nossas vidas e confiar que Ele acrescentará a cada dia o crescimento do seu reino dentro de nós. O que precisamos é simplesmente dar lugar ao Espirito Santo e produzir o fruto. Sabendo que mesmo dura e complicada nossa caminhada, somos apenas forasteiros neste mundo. Nosso campo foi comprado e o tesouro escondido nele foi separado para aqueles que perseverarem até o fim.

Deus abençoe a todos.

Marcos Moura